Palavras que se perpetuam envoltas em imagens nesta colcha de retalhos entre fonemas, sentidos e paixões.







domingo, 24 de outubro de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sem rumo!


Vou perambulando qual vento sem rumo esperando poder cheirar as flores da manhã d'algum jardim e à noite admirar a Lua em companhia dos cheiros outros que enebriam minhas rufadas.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Convite

Quero te convidar para entrar no meu mundo, permitindo que a mágica do seu mundo seja parceira da minha mágica.
Quero te convidar para conhecer o meu corpo e conhecendo o meu deixar-me conhecer o seu.
Quero te convidar para palavras ouvir,
já que palavras também preciso sentir.
Ensina-me o silêncio e boa troca iremos seguir.
Quero te convidar para me ensinar a olhá-la,
já que meus olhos já veem, mas o que veem não são a ti.
Quero te convidar para a confiança existir,
já que o medo precisa sair.
Quero apenas te convidar e convidando convidar a mim.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Chegada do sepulcro


Escolheram minhas vestes, seria branco.
Não me perguntaram se eu havia de gostar.
Tiraram-me os sapatos, e eu que pensava que poderia levá-los.
Despentearam-me os cachos e os puseram presos ao meu lado, não gostei, minha forma tinha uma imagem que não me pertencia.
As flores não eram as que eu queria, tinham um cheiro nada peculiar e me irritavam as narinas me fazendo espirrar.
Alguns me olhavam com espanto, outros com dó, alguns nem me viam, já que conversavam com outras pessoas que eu nem conhecia.
Não era essa a festa que eu tinha sonhado, nem a música que eu queria ouvir tocar, não eram essas as pessoas que eu havia convidado, não era nada disso que eu queria estar.
A vela ainda cismava em brandir sua luz fosca me enjoando o estômago, mas ninguém vinha apagá-la e pensei estarmos sem luz. Tanta demora, e eu me perguntava em vão.
De repente, ela chegou, com seu manto negro, me estendendo a mão e dizendo que se atrasara um pouco, uma confusão, mas que eu já poderia descansar.
Ajeitei-me, repus meus cachos no lugar, apaguei as velas, troquei as flores, me vesti de outra cor e coloquei meus sapatos que tanto adorava. Acendi a pira e me deixei levar, sendo sorvida pelas chamas que aqueciam meu coração. Ela ficou a me esperar, até que eu estivesse pronta e segurando sua mão partir, feliz!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Instante


O corvo assentiu minha presença ora pálida manhã sem sol.
Estava eu a namorar a lua magra quando me veio o súbito pensamento.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Diferentemente


Eu queria me transmutar, ser borboleta às vezes, e toda hora que eu quisesse morrer, me refazer em beleza diferente. Mesmo que o instante seja o de me perpetuar, não importa, quero suas asas como se fossem minhas, por onde eu pudesse adentrar e sorver o vento em minhas cores me revestindo novamente.
Eu queria ser mar, me salgar nos peixes que desbravam as correntezas. Ser como a anêmona que presa ao fundo captura com seus tentáculos seu alimento, apenas transborda sem a gravidade dura que nos curva o tempo.
Eu queria ser terra, fazer brotar as árvores seculares que prendem minha memória, perder-me nas folhas secas que se esparramam pelo chão em boa hora.
Eu queria ser mineral, a pedra que ora rola magistral se permitindo formas durante sua estada infinda, até se transformar em pó ou se solidificar como uma estátua poderosa perpetuada em algum lugar.
Eu queria não ser gente, já que gente, insistentemente cansa a gente. Até eu me vejo cansada em mim, de tanto querer ser diferente. Não que eu me atrapalhe em minha essência, ou diria, persistência, mas porque gente requer demasiadamente gente.

domingo, 2 de maio de 2010

Cenário


Vejo o céu limpo a brincar com algodões de diferentes cores anunciando uma leve chuva cor de cinza, fria como a neve que ora respira por entre as minhas narinas, já que me atrevi a deixar aberta a porta. Meus rastros qual raposa à espreita do alimento busca por entre as árvores pálidas um pouco de calor. Descanso na sombra da fome macia, sentindo a brisa que me arrepia os pelos. Ao longe, avisto cor de branco cismando em meio a neve que se misturando estava orelhas pontudas avermelhadas, mostrado seu sangue para mim. Entre o olhar e a vontade de me esgueirar veio um pássaro assustado qual não foi seu engano em deixar seu filhote partir - mas já era hora. O céu, as nuvens, a neve, a árvore, a fome, o sangue, o voo, o filho. Cai a chuva, fecho a porta, acendo a lareira do meu coração e volto às páginas do livro incerto, já que meus olhos cismavam na escuridão, fechados estavam, sono talvez, mas o brilho da neve insiste.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Vida

Eis-me como o grão que pulsa da terra madura, terra fértil de chuvas, caminhos que ora reservei para você. Qual coração misturando seu sangue ao meu pinta minha boca que saliva palavras em seus beijos. Mãos que plantam prazeres em meu ventre. Aproxima-te, reveste-me e completa-me, brotos nascerão das asas das borboletas e com o vento desmanchando-se em pólens de amor.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Invasão


Te vi sentada na areia da praia a conversar com as ondas do mar, perguntavas donde seria que eu poderia estar. Aproximei-me de você em forma de maresia, você por certo, percebeu um emaranhado de outros cheiros neste que veio te visitar. Atenta, levanta e se dirige para os cabelos do mar a espera talvez de quem sabe me encontrar. Me travesti de concha e aos seus pés fui buscar. Ao me ver, novamente, agora de outra forma, diferente, levantou-me e começou a me escutar e qual não foi a sua surpresa ao perceber que eu estaria a te beijar. (É na singeleza que a verdade se esconde).

sábado, 24 de abril de 2010

Lentamente


Seus passos nos meus sapatos, inexatos atos de alguém que ainda não está a sonhar com você. Por onde andas? Eu poderia perguntar, mas sei ainda não estar pronta para caminhar. Tão longe, te sinto tão longe, noutros ventos, noutros tempos, noutros temporais; banho-me desta espera, qual espera que deixa ao alento meus passos apertados neste sapato que ora não quero estar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A lagarta e a borboleta


Essas duas formas intrínsecas de ser, ambas, disputam não posições, mas sentimentos. Perdem na rudeza de suas ações e devaneiam. Ao piscar os olhos não percebeu; simples mecanismo muscular. Era de múltiplas cores, o casulo não sei, o puro instante gravado - morreu. Era breve o seu momento, coisas da natureza, mas ÚNICO.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Intento


Qual borboleta que se vai caminhando entre as flores se vestindo de suas cores esperando o tempo certo para colocar seu manto e se fazer outro movimento. Sou àquela que a espreita na esquina, esperando qual serpentina para enrolar-me em você e assim festejarmos nosso carnaval. Como quem repassa as horas de um livro, refaço as linhas da minha trajetória esperando que sua memória seja ativada em mim e assim permaneça intacta, qual estátua perpetuada pelo autor enamorado de sua ideia. Quero poder acalentar suas lágrimas e banhar-me delas, criando assim as Ninfas que irão ocupar os mares bravios tantas vezes navegados por nós. Não me bastarão planos para chegar a você, assim esquecida na torre marfim de seu coração, que revestido de cores espera a hora certa para se fazer tela e ser apreciada em partes, não inteiramente, tamanha é a sua beleza diante de mim. Vem, venha sem medo, venha sem pressa, mas apressa essa conversa que chega até nós e não tem fim. Assim, escuto seus segredos e falo apenas para você dando-lhe outro contexto por justamente estar dentro de mim.

Reencontro


Tão somente florescer, como brisa que se transforma. Aos poucos seus motivos são outros e se perdem. Negativa da perfeição, faz-se de outra matéria e deixa ao alento a percepção. Ah! Como é mágica e cruel essa forma, como todas as formas, que ora são belas, ora fantasmagóricas, ocupar no mesmo espaço tantos closes. Deixar escapulir por entre os olhos a verdadeira face. Deixar se vestir de negro com tanta ausência, fazendo crer que possui cores. O nada se instala e cria vida. Agora outra nominação, inúmeras vezes escapulida de si. Está por ai e ninguém quer ver, como não se querer ver, se seu espelho a acompanha diariamente. Vai vislumbra-te, apoderasse da tua forma e faz brisa novamente.

Mi corazón en tus sueños


En las calles floridas paseo en mis sueños, en mi mano la mano de mi dulce amada. Camino a mi corazón a bailar. Al despertar ella está a mi lado, esperando el dulce beso de tus sueños. (em parceria com Sergio Póvoa - site da Magriça)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Em pensamento


Qual estátua presa em sua beleza esqueceu-me de regar o coração. Eu gostaria de ter escalado a torre alta de marfim e cravado em meu peito sua imagem que se perdia de mim, tão ocupada estava eu a viajar pelo tempo que nem percebi. Olho-me no espelho e me perco no azul do mar que ora vejo misturado às brumas loiras dos meus cabelos, pequenos fachos de sol das caudas dos cavalos velozes dos deuses. Sou tão tola e por ser tola quero-te tanto, tanto como as pausas leves do meu coração que se escutam ao meu respirar. Não vês que fazes parte de mim? Não vês que já não posso te deixar partir? Não quero a hora sepulcral a me esperar, nem as palavras escritas na lousa da tela da imagem de um filme tosco, nem tampouco os poucos momentos que não posso te ver. Preciso de sua imagem, de sua pele, de sua fala, de sua cálida presença ao meu lado, mesmo que muda, mesmo que ausente, mesmo que ainda esteja em outro ente, mesmo que não queira fazer parte dessa simples e pequena parte do meu ser, mesmo que tenha tantos outros motivos que não ouse me dizer, mesmo que seja a última e derradeira aurora, mesmo que seja a sua despedida, mesmo que seja eu a te pedir, não vá de mim. Por ser tola e tão tola te quis tanto presentemente, que na minha mente não percebi que partiu. Mas, sei não te culpo, atropelei o tempo e nele me perdi. Venha, volta, volta para essa que perdida está, mas volta completamente, para que meus olhos possam te buscar e te guardar, volta para ocupar e tomar o que ainda não é, apenas está, como semente que precisa da terra para se alimentar, sou eu a te esperar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Calendário Sepulcral


Não quero meu nome nas lápides de um cemitério qualquer. Entoando as efemérides pelos Deuses planejada. Quero-me em cinzas mornas sendo acolhida pelo sol em Mar Egeu. Não me quero nos orbes das Deusas seminuas. Deixe-me em paz, em qualquer canto deste oceano, pois assim quiseram os astros, pois assim me vejo entoada entre as canções. O que estava escrito se cumpriu. Ceifou-se a seiva orbital deste ano.

Esperando poesias


Quero saborear as horas perdidas na minha cama a lembrar dos momentos em que me recitava Homero e me fazia escrever poesias ao cavalgar em você. Ao escrevê-la percebi que meu corpo por si só falava ao deixar que suas mãos penetrassem em meu ser. Não quero as horas marcadas no relógio perdido estático preso à parede da minha sala me dizendo que já está na hora de partir. Quero a minha boca presa à sua como se uma única palavra pudesse ser emitida, verbalizada, imortalizada. Sou puro amor, forma poética encarnada para conter o tudo que podemos viver. E desta maneira, qual vida sem conceituação eu te espero voltar. Tenho minha cama para esperar e poesias para te procurar.

domingo, 18 de abril de 2010

Insônia filial


Bom dia, dia magistral da noite insone perdida em sonhos e em palavras. Ditas formas que não preciso ver para saber existir. Me vi conversando com pedaços de meu útero, pedaços nascidos que hoje se compõem em formas suas, universos seus, pedaços de mim sim, mas pedaços deles. Misturas formadas em vidas que se despem para seus momentos que não os meus, mas mesmo assim converso com eles na noite clara das minhas pálpebras. Esperando a mão ofertada que não foi dada, as palavras que quiçá ousaram queres escutar, o sorriso de alento de um coração nada alentado, formas que se criam em suas formas, sei, pedaços de mim sim, mas pedaços deles também.

sábado, 17 de abril de 2010

Esconde-esconde


Esconde-esconde, por detrás da árvore secular do Parque Laje sem saber o futuro a lhe esperar. Sorriso ingênuo de criança carrega em sua brincadeira sonhos de um dia mulher. Ainda brinco de me esconder por detrás das árvores a pensar ser eu novamente a me esperar.

Ensaio


Retiro vestes de cores que não gosto. Como o vento que desfaz meus passos na areia, tento compor de outra forma, mas as espumas do mar desfazem-nos completamente. Errante sem passos, vou me guiando pelo brilho das estrelas, mas uma nuvem negra como o céu noturno embaraça minha visão e quando avisto estou a mergulhar na imensidão do azul do meu olhar.

Meu começo


Parada em meu movimento nada estático. Meus membros buscam palavras que gostaria deixar partir. Quero-te em verbos, fonemas, conjugações, pontuações que desconectam-me do simples fator existir. Aqui, vou deixando parte de mim, intrínseca parte que adoraria conseguissem ler; não compreendem metade do que sou, gastam verbos, saliva, mãos, coração e mente em minha pessoa - se percam aqui! Vou me deixar partir para o limbo das minhas emoções e assim recriar palavras perdidas. Que venham a mim como sempre vieram e, assim, vou me tecendo em contos, em prosas, em pensamentos, em imagens que se miram em meus olhos, singulares e misteriosos olhos, assim como minhas mãos, assim como meus escritos. Apenas partes de mim!